sexta-feira, 12 de setembro de 2008

ÁRVORE PROIBIDA

WILLIAM BERGER





ÁRVORE PROIBIDA





VITÓRIA
2005, 2006, 2007 e 2008

PERSONAGENS:

JOVEM

SENHOR

SER ESSENTE

VOZ FEMININA



PEÇA EM DOIS ATOS


1° ATO: NA TERRA

2º ATO: NO INFERNO


INTRODUÇÃO

“Levanta-te, ó Senhor da Floresta, ao cimo da terra!”
(Rig Veda III, 8,3.)

Esse texto é a Unidade de 24 anos de vida, de inquitações escritas e reescritas para serem ditas através do teatro. Não me arvoro aqui como um escritor, mas um ator que busca uma visão unitiva da Arte, da Ciência e da Religião no templo cósmico do corpo.

Árvore da Vida, árvore milagrosa, madeira ereta, encruzilhada das três regiões cósmicas: Terra, Inferno e Céu. Suas raízes se prolongam até os Infernos (meus infernos) e os galhos tocam o Céu. Sim, alcancei o céu, subi a escada de Jacó, tornei-me imortal. Farejando fios de lã que um tal de Waldo Motta, poeta, deixou pelo caminho. A verdade é que ele é um grande mestre.

Certa vez sonhei com o dia em que vim à terra: depois de fazer amor com Deus, um ser que continha os dois sexos, escolhi alcançar a luz nesta vida. Quando estava encarnando, Deus falou comigo “Procure um tal de Waldo Motta, poeta”. Loucura ou não, eu o encontrei.

Finalizo esse pretexto para o teatro justamente no período em que estamos encenando a peça “Um Rubi no Umbigo” adaptação do texto de Ferreira Gullar. Na nossa encenação o personagem Vitor morre e embarca num trem poético. Para mim, o mesmo trem que sonhei quando tinha 5 anos de idade e que jamais esqueci. Esse sonho aconteceu na cidade de Montanha - ES, onde viveu minha mãe na sua infância. E de acordo com o simbolismo, a montanhas (ou os montes gêmeos) são o local de revelação do próprio Deus Vivo e do segredo da vida eterna (vide Moisés, Gilgamesh, entre outros exemplos de diversas mitologias). Tenho também algumas imagens da minha infância na cidade de Itaguaçu (que significa Pedra grande em tupi – guarani), e em Montanha, guardadas na minha memória. Sempre recorro a elas para o meu trabalho de ator e para escrever e reescrever alguns poemas.

Ao unir tudo isso na minha identidade mais íntima, descobri que meu sobrenome “Berger”, do alemão Bergman, Bergham, significa também “homem da montanha, aquele que habita os montes” (provavelmente algum pastor de ovelhas da mesma natureza que me levou a desempenhar o papel de pastor de ovelhas durante 4 a 5 anos de minha infância no Auto de Natal da Igreja Evangélica de Confissão Luterana, comunidade de Triunfo).

Mas desde cedo o que mais me marcou foram os sonhos. Grande parte deles muito significativos, o que mais me marcou foi esse quando tinha 5 anos de idade: Estava eu na casa de minha tia em Itaquari, Cariacica – ES, com minha mãe, minha tia e alguma prima minha. Olhávamos para o horizonte lá de cima do morro, quando de repente um trem de ouro atravessou o céu da direita para e esquerda. De nossos pés nascia uma escada que ia dar na porta do trem. Minha mãe saiu correndo escada acima. Parou no meio do caminho. Transformou-se na figura de Jesus, sorriu para mim, acenou e entrou no trem, que sumiu entre as nuvens.

Quando estávamos no processo de construção do espetáculo “Um Rubi no Umbigo”, contei ao grupo sobre essas experiências, e de como as realidades estavam se integrando agora, justamente na entrada da fase adulta (meus 24 anos). Sonhos e fatos da infância, e de toda a minha vida, textos que escrevi a muitos anos unidos na construção de um personagem, desse texto para o teatro que venho escrevendo, e no cotidiano mesmo. Me sentia (e me sinto) integrado com tudo o que acontecia (e acontece) à minha volta. Mesmo as coisas ruins da vida me parecem necessárias agora, e até indispensáveis para a consciência de quem sou e a que vim.

É a partir dessa vivência de Unidade, que nasceu “Árvore Proibida”. Um texto que fala da minha trajetória aos meus infernos, da vida mesma, do Céu (que é a Unidade), de Deus, da minha sexualidade, do meu espanto, da calma, da inquietude, do drama e até do melodrama. De repente a vida faz sentido e essa aventura errante, até meio quixotesca, valha a pena ser dita. Humildemente, espero que o relato dessa experiência sirva como testemunho de um sistema de vida. E que uma nova arte, capaz de abolir as enganações da deusa Vênus, venha testificar o surgimento de um novo homem no século XXI.




"Provérbios e cantares

Ontem eu sonhei que via
a Deus e que a Deus falava;
e sonhei que Deus me ouvia
Depois sonhei que sonhava

À noite sonhei que ouvia
a Deus, gritando-me: Alerta!
Logo era Deus quem dormia
E eu gritava: Desperta!" *

(Antônio Machado)




___________________
*IN: GRIMBERG, Luiz Paulo. Jung- o homem criativo. 2 ed.. São Paulo, FTD: 2003. 239p. p. 130. (Antônio Machado. Apud Borges, Jorge Luis. op. cit., p. 137).
CENÁRIO:

No centro de uma arena, uma cadeira giratória coberta de barro. À sua volta, no chão, nove círculos conscêntricos feitos com terra em formato de mandala, com pequenas aberturas entre um círculo e outro.


(Entram os três personagens : JOVEM, SENHOR e SER ESSENTE. 1° voz: SER ESSENTE; 2° voz: JOVEM; 3° voz: SENHOR . Se posicionam de costas um para o outro em torno da cadeira, no centro da arena.).

(Cânone em 3 vozes)

"Diversidade

¹Eu sou um monte de pessoas antípodas
²que se detestam e vivem a dizer
³as piores coisas umas das outras"*

(pausa)

1º voz: Eu sou O Que Sou

2º voz: Eu sou O Que É

3º voz: Eu sou Aquele Que É

Uníssono: EHEIE

1 voz :
" Tudo o que dois fizerem na terra, será feito no céu. Deus é dois que é um."
“Esta é a gênese do céu e da terra quando foram criados, quando o SENHOR Deus os criou.
Não havia ainda nenhuma planta do campo na terra, pois ainda nenhuma erva do campo havia brotado; porque o SENHOR Deus não fizera chover sobre a terra, e também não havia homem para lavrar o solo. Mas uma neblina subia da terra e regava toda a superfície do solo.

2 voz:
“Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego da vida, e o homem passou a ser alma vivente.
E Plantou o SENHOR Deus um jardim no Éden, da banda do Oriente, e pôs nele o homem que havia formado.

1 voz: Do solo fez o SENHOR Deus brotar toda sorte de árvores agradáveis à vista e boas para o alimento; e também a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal.

2 voz: E saía um rio do Éden para regar o jardim e dali se dividia, repartindo-se em quatro braços.
O primeiro rio chamava-se Pisom; é o que rodeia a terra de Havilá, onde há ouro.
O ouro dessa terra é bom; também se encontram lá o bdélio e a pedra ônix.

1voz: O segundo rio chama-se Gion; é o que circunda a terra de Cuxe.

JUNTOS (1 e 2 voz): O nome do terceiro rio é Tigre; é o que corre pelo oriente da Assíria. E o quarto é o Eufrates.

1 voz: Tomou, pois, o SENHOR Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e guardar.

2 voz: E o SENHOR Deus lhe deu essa ordem

TRÊS VOZES JUNTAS: De toda árvore comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás. (Gênesis 2. 4 –17).
______________
*In: MOTTA, Valdo. Eis o homem. Vitória. Editora Fundação Ceciliano Abel de Almeida:1987.142p.. p.22.
** Waldo Motta, em reunião do Grupo Poiesis.


1° ATO: NA TERRA

(Som de ondas quebrando na praia)

JOVEM (caminhando): Uma pedra! (apanha uma pedra do chão) Certa vez ouvi dizer que as pedras contém mistérios . . . (pausa. Olhando para a pedra) Sempre me perguntei: como será o rosto de Deus?

VOZ FEMININA (ao Microfone):

Quando secas estão todas as fontes e as rosas se acabam
Os homens engordam porcos como pequenos budas

(SENHOR entra em cena aproximando-se lentamente do JOVEM)

Os suicidas confundem-se na névoa dos lagos
E as estrelas isoladas
iluminam os céus.
A aranha na sua própria teia
atravessa o lago. Os vermes
abandonam as suas casas habituais.
As pequenas aves convergem . . .

SENHOR e JOVEM (juntos. Como que mergulhados em algo profundo): Convergem para um difícil nascimento!

SENHOR: (contemplativo) Que terrível, isso!

(silêncio)

JOVEM: (voltando a si) Mas quem é o senhor?

SENHOR: (nervosamente) Desculpe meu jovem, mas eu . . . eu não sei como dizer. Você . . . bom, me desculpe, mas eu preciso saber se você . . . bem, você não está entendendo nada, não é verdade? Desculpe-me incomodá-lo. Até mais!

(Voz feminina ao microfone): O Senhor com aspecto nervoso parecia realmente estar confuso. As palavras lhe saíam da boca penosamente. Sai, enfim sem olhar para trás.

JOVEM: Que grande tacada a minha! Achar que realmente, alguém com senso de ridículo marcaria um encontro pelo orelhão para as quatro da tarde em uma praia isolada. A toca da imundice, passarela da miséria humana. (apontando para onde o SENHOR saiu) Deve ser um desses caçoadores, que gostam de dar coió em “viado” , mas no fundo nunca ouviram a própria voz . (pausa) Mas muito me admira um senhor distinto como esse, se é que ele é o tal João, com o qual marquei esse encontro, como ele se dignaria a . . . (SENHOR volta por trás do JOVEM) Eu não quero mais filosofar nem tecer fios poéticos. Eu quero é dormir, um sono tão profundo, como o interior de um buraco negro (longa pausa) e só!

SENHOR: Perdoe-me por voltar, mas é evidente que você, jovem, poderia me ajudar . . .

JOVEM: Se você me disser do que se trata . . .

SENHOR: Bom, é que é muito difícil para mim, sabe? Eu . . .

JOVEM: Tudo bem! Eu já sei quem você é, mas, enfim, vamos João, porque eu estou a quatro meses sem foder e essas quatro horas que esperei por você já não podem mais virar poesia!

SENHOR: Bem! Me desculpe, mas eu acho que há um engano. Meu nome não é João e eu estou procurando uma outra pessoa, que não lhe posso revelar o nome, mas que não é isto que você está pensando ou espera. Enfim, a verdade é que eu preciso saber se não viu por aqui uma . . . uma cadela! É! A minha Suzi fugiu e eu . . . eu estou . . .

JOVEM: É uma cadela, um ser humano ou sei lá que diabos o senhor procura enfim?

SENHOR: É a minha Suzi, eu já disse, mas que ela é tão inteligente que até parece . . . desculpe! (pausa) Você parece chateado! Desculpe a intromissão, mas você havia falado algo sobre poesia. Você já leu Sylvia Plath! Eu sou escritor, você escreve também?

JOVEM: Não, senhor! Só solto gritos que nem sequer ficam parados no ar. Soam como merda no buraco de uma fossa!

SENHOR: Você está mesmo nervoso! Já vi que você é do tipo pessimista!

JOVEM: E dá para ser otimista nesse país?

SENHOR: Qual a sua idade?

JOVEM: Quem é o senhor, ou você, que aparece do nada e vem logo com intimidades. Eu sei que este local é um ponto de pegação, mas . . . eu, eu não sou viado, vim aqui só pra comprar maconha.

(pausa)

Minha idade . . .
Bem menos que você! Mas muito mais que muita gente.

SENHOR: Você parece deprimido. E ainda tão novo . . .

JOVEM: Meu senhor, dê o fora o quanto antes!

SENHOR: Eu não sei se posso te ajudar, mas você gostaria de ouvir um verso meu? É que eu escrevo e ouvi você dizer que não teceria mais fios poéticos. Você recitou um poema de Sylvia Plath. E eu adoro poetas suicidas. São tão . . . deprimidos. Você gostaria de ouvir um poema meu? Eu . . .

JOVEM: (cortando, indignado) Vem cá, você estava me espionando?

SENHOR: (sério) Você quer ou não quer me ouvir?

JOVEM: Já ouvi tanta porcaria nessa vida, que nada mais me assusta. Vai desembucha, mas eu não tenho muito tempo. Já passou da hora de eu ir embora.

SENHOR: Bom, ele é bem simples, mas é verdadeiro. É assim:
Quantas vezes disse não!
Neguei você por uma eternidade.
Agora aos dezenove, boom!
Você acorda e cada segundo é intensidade.
Meu dia tem 24 horas.
Cada segundo é intenso e bem vivido!
Você me liga lá pelas 10.
Mas se te ligo, é um perigo . . .
É como a ilha e o mar
Posso te tocar
Até te beijar
Mas não posso te ter.
Você é tão pequeno e frágil
Que eu, oceano imenso,
Não caberia em você
O mundo nos rejeita
Quem sabe um dia explodamos
E sifu pro mundo digamos:
SOMOS GAYS E DAÍ?

JOVEM: Já ouvi melhores . . .

SENHOR (desapontado): É claro! (pausa) Eu nunca o havia recitado para ninguém. Eu acho que nem para mim mesmo.

JOVEM: (ri desesperadamente e termina em choro. Pausa) Essa é a pior das platéias, meu senhor. (pausa) Sabe, eu estou cheio desses poemas de bichice. De fechação o mundo já está cheio meu caro. Será que os homossexuais vão ficar a eternidade toda falando do seu desejo. Se não tem o que dizer, fique calado. A palavra é coisa muito séria, é sagrada. O verbo se faz carne.

(silêncio)

SENHOR: Nossa . . . me desculpe mesmo. (pausa) Você não gosta de sair à noite? Você é novo, tem o quê? 21 anos?

JOVEM: 22.

SENHOR: Você chega lá! Quem sabe estará igual a mim?

JOVEM: (desdenhado) Só se Deus dá pedras em lugar de pão!

SENHOR: Bom, disto eu não posso reclamar .

JOVEM: Reclamar do que meu senhor? Você deve receber uma aposentadoria gorda, tem uma cachorra gorda chamada Suzi e tem tempo até pra fazer versinhos bregas. Ah! Me poupe. Do que mais você precisa? Sombra?! Pois que se afogue na água sua fresca !!! (pausa). Pelo que vê não tenho nenhuma cadela nos braços, muito menos uma que se chame Suzi! Vá embora por favor! E me deixe destilar um pouco do meu veneno antes que eu o engula e tenha de feder no nariz de velhos desocupados ou ser alimento de cães.

SENHOR: Eu não posso te deixar, seria irresponsabilidade demais da minha parte ver alguém definhar assim e não fazer nada.

JOVEM: Pois bem, faça algo útil: cale essa boca imunda e aguarde o momento exato do bote!

SENHOR: Bote?! Você não está bem mesmo. Você tem mãe?

JOVEM: E que ovo não tem uma casca nesse mundo?

SENHOR: Boa essa! Muito legal a metáfora!

JOVEM: Você só sabe fazer isto?

SENHOR: Isto o quê? ( silêncio)
Ah! Desculpe meu jovem amigo. Vou deixá-lo agora. Esta sua impaciência, e seu coração só podem me causar simpatia! (pausa) Já o compreendo meu caro amigo. Mas devo insistir, você não viu a Suzi?

JOVEM: É uma poodle de pêlos brancos, pernas e pescoços tosquiados?

SENHOR (freneticamente): Sim!!!

JOVEM: Não vi!

SENHOR: Mas como sabe então que a Suzi é uma poodle de pêlos brancos e de pernas e pescoço tosquiados?

JOVEM: Eu sei lá! Vi e não vi. Acho que a carrocinha levou!

SENHOR: Meu Deus! Que horror! A minha Suzi vai virar sabão como os judeus na Segunda Guerra!!!

JOVEM: Acalme-se! Não é para tanto. Um cachorro a mais ou uma a menos no mundo só faz diferença para as pulgas.

SENHOR: Você zomba de mim! Pelas cinco chagas de Cristo!!!

JOVEM: Esse mesmo! É outro que fugiu em me deixou aqui com uma coleira na mão escrita Fiel!

SENHOR: Você tripudia de sentimentos da mesma forma que profere heresias. Você é um porco!

JOVEM: Os porcos são mais felizes, meu caro, pelo menos sabem que vão comer. Vivem a vida intensamente até que a faca os separe.

SENHOR: Ó meu Deus!

JOVEM: O que foi desta vez?

SENHOR: Estou pensando na Suzi. Ela deve estar encurralada entre viralatas, já deve estar cheia de pulgas, carrapatos, ou até prenha! Ou morta! Não, não, não! Não quero nem pensar nisso. Seria o fim. A vida não faria mais sentido.

JOVEM: A que ponto chegamos meu Deus? (pega cigarros e fósforos) Quer um cigarro?

SENHOR: Não, eu não fumo. A Suzi tinha alergia a fumaça. Você se aproveita do meu tormento! Não vê que meu espírito está perturbado?

JOVEM: Não me interessa, isso é grotesco e só.

SENHOR: (silêncio) E o que você faz aqui?

JOVEM: Já lhe disse. Eu havia marcado um encontro.

SENHOR: Que falta de moralidade!

JOVEM: Falta de moralidade?! O seu vômito sobre o papel a que chama de poema é falta de moralidade. E além do mais isto aqui é alguma igreja? Ora me respeite sua bicha velha. Cacura!

SENHOR: Me respeite, eu sou homossexual e sou casado faz 13 anos!

JOVEM: Por um acaso o Lula aprovou a lei que permite casamento entre homossexuais? Ora, me respeite o senhor! Os eleitores dele são hetero católicos. Ele não poria a corda no próprio pescoço, não pelos veados, pois os galhos deles incomodam muita gente. Não seja ingênuo meu caro. Será que 60 anos não lhe bastaram para aterrissar neste mundo?

SENHOR: (silêncio. Com profunda tristeza) O jovem é um ótimo orador, mas um péssimo mentiroso!

JOVEM: Olha eu não . . . não queria ofendê-lo tanto.

SENHOR: Não, não há ofensas, eu não sou casado. Suzi era uma forma de me sentir menos vazio. Eu bem sei que o mundo dela é outro. Tudo é osso e instinto. Você não precisa se desculpar.

JOVEM: Mas . . . eu posso ajudá-lo a procurá-la.

SENHOR: As ilusões que crio são armadilhas de mim, são formas de fugir da mesmice, bravejar e sussurrar aos deuses que eu estou farto!

JOVEM: Você não tem coerência e lógica no seu discurso! Você não é poeta., é um enganador. Vai ver que faz turnê pelo interior do estado enganando analfabetos para conseguir patrocínio. Conheço muitos assim aqui nessa província. Com certeza, você deve ser um grande escritor lá na vila de Sucupira.

SENHOR: Desculpe, você está cometendo um erro cruel meu jovem . . .

(ouvem-se latidos de uma cadela)

SENHOR (muito excitado): Ah não! Não, não, não é ela. Eu conheço o timbre do latido dela, tem algo de . . . ó meu Deus ela deve estar com fome. Deve ser por isso que seu latido está diferente.

JOVEM: Cale a boca! Vamos ver onde ela está.

(SENHOR fica parado)

SENHOR: ( pausa)

JOVEM: O que foi?

SENHOR: É que . . . (pausa) eu não sei se realmente . . . não, não é nada, vamos! (andam alguns passos) A verdade é que eu não sei se realmente quero encontrá-la.

JOVEM: Como assim? Ela não é o sentido da sua existência, sua companhia por treze anos?

SENHOR: Sim, mas, eu já estou cansado. Todos esses anos, os latidos, as noites de sono mal-dormidas. A falta de sexo, o tédio, o ócio. Eu não tenho vícios, eu não tenho amigos.

JOVEM: Ora, eu posso lhe fazer companhia por hoje . . .

SENHOR: Não jovem. Você é intelectual demais para um velho bobo como eu. Eu só preciso de sarro e alguma coceira pra matar. Você não, deve alçar vôo, percorrer os sete vales, os sete mares. Se espelhar no abismo agora só o faria ainda mais pessimista. E o mundo já está cheio desses. Isso só lhe causaria vertigem e por último a aniquilação.

JOVEM: (pausa) Eu também não sei se sou tão pessimista assim. A verdade é que nem sei porque falo as coisas dessa forma. Às vezes sinto um vazio aqui também . . . e procuro preencher com livros, ironias, sexo. Eu só durmo 4 horas por noite. É o único tempo em que não tenho livros nas mãos.

SENHOR: (tentando abraçá-lo) Mas o conhecimento não deveria te prender, antes torná-lo livre. Você me parece até incoerente às vezes, sabia? Diz coisas tão lindas e é tão pessimista . . .

JOVEM: (afastando-se) Você já ouviu que “nem só de pão vive o homem”? E que “muito estudar é canceira e enfado”. Pois bem, a Bíblia está cheia de contradições porque os homens dão aí o sentido que mais lhe convir. As traduções que lemos são expressão dos homens, se fossem dos deuses, do sagrado, estariam escondidas, como os apócrifos ou como os hipócritas. O senhor compreende que somos enganados? Um bando de publicanos que publicam a própria desgraça sem compreender uma só vírgula do que dizem.

SENHOR: Eu estudei um pouco de Bíblia na catequese . . .

JOVEM: Você engoliu doutrina! Estudar é como enfiar as mãos nas vísceras e arrancar a própria alma.

SENHOR: Eu confesso que preciso despedir-me!

JOVEM: Fim de partida! Já se vai?

SENHOR: Escute, eu vou lhe dar um conselho: não deixe de fazer o que você tem vontade. Se quiser ser um porra louca, que seja! Mas não brinque com o sentimento dos outros. As pessoas ainda necessitam justificar sua existência com coisas idiotas.

JOVEM: Tudo bem! Mas quem é aquela lá?

SENHOR: Onde?

JOVEM: Ali à esquerda do poste!

SENHOR: É a Suzi! Santo Deus!!!

JOVEM: Diabo! Não é que ela existe mesmo!

SENHOR: Por quê? Você duvidou?

JOVEM: Eu ainda tinha esperanças.

SENHOR: De quê? Que ela tivesse morrido?!

JOVEM: Não . . . que você fosse o João.

SENHOR: Sinto muito amigo, eu não . . . a verdade é . . . eu gostaria , mas a doença já me corrói (pausa) você não precisava saber disso.

JOVEM: Disso o quê?

SENHOR: (pausa e lágrimas)

JOVEM: Você já teve família?

SENHOR: (pausa longa)

JOVEM: Desculpe, vejo que estou lhe incomodando. Eu vou partir.

SENHOR: Partir para onde?

JOVEM: Tomar um önibus qualquer, sem saber onde vai dar e, quando souber, tomar outro até chegar a hora de ir trabalhar. Muitos despejados fazem isto mundo a fora você sabia?
SENHOR: Você não tem casa?

JOVEM: Tenho! Só que é muito longe do Centro. Tenho de tomar 3 ônibus lotados que mais parecem um carro de bois e passar 5 horas de pé, cheirando cecê, perfume de 1,99 e olhando rapazes de . . . Como já dizia o Milson: Deus me deu a laranja, mas não a faca.

SENHOR: Se quiser tenho uma lá em casa!

JOVEM: Uma o quê?

SENHOR: (insinuando sensualidade) Uma faca ora! Podemos nos matar, e depois brindamos nosso sangues no inferno em taças de blood-mary . . .

JOVEM: Nem uma espada poderia me cortar no meio, quanto mais uma faquinha de chinês como a sua (faz gesto que sugere um pênis pequeno). E além do mais, a Suzi sumiu, olha lá!

SENHOR: E daí?

JOVEM: Como e daí? Ah! Não vamos recomeçar aquela ladainha . . .

SENHOR: ( Senta-se na cadeira. Olhando fixamente para o horizonte. JOVEM, por trás, gira a cadeira, crescendo em gradual velocidade até parar abruptamente) Eu vinha como que montado num machado sagrado, que, de cabeça para baixo, subia por entre a estreiteza de um rio gelado. E se encontravam objetos sagrados por entre o leito desse rio. Um deles era uma ponte sagrada de ouro que se partia em dois pedaços e afundava quando alguém a tocava. Só que eu consegui pegá-la, os dois pedaços e guardá-los num quintal, o da Iracema, na casa antiga. Existiam nesse quintal quadros e antigüidades. Um deles era de Monet, só que não se podia tocá-los. Quando eu mexi em uma casca velha de noz, um enxame de abelhas se levantou contra mim e veio na minha direção. Só que ele estava do lado de lá da cerca, e eu do lado de fora, próximo ao pasto. (JOVEM pára de girar a cadeira) Eu acordei sem elas terem me picado. (pausa)

JOVEM: Você tem penico em sua casa?

SENHOR: Por que isso agora?

JOVEM: Curiosidade! Sempre achei que todo velho tem um penico, o meu avô tinha um.

SENHOR: Tenho! Mas não uso. (levanta-se da cadeira)

JOVEM: Pois deveria usar!

SENHOR: Por quê?

JOVEM: Ora, penico é um objeto sagrado!

SENHOR: Talvez você possa até ter razão, mas o sagrado é muito nojento!

JOVEM: Olha uma coruja!

SENHOR: Que linda!
(os dois, de rosto próximo quase se beijam, quando os latidos de Suzi interrompem-nos)

SENHOR: É . . .

JOVEM: E então?

SENHOR: Eu não me chamo João.

JOVEM: E eu não me chamo Suzi.

SENHOR: Podemos adotar pseudônimos.

JOVEM (afastando-se): Eu gostei mais da idéia da faca. Não no sentido metafórico!

SENHOR: Você está louco?

JOVEM: (silêncio)

SENHOR: Pois eu topo!

JOVEM: Está falando sério?

SENHOR: Está com medo?

JOVEM: Não! É que . . .

SENHOR: Pois bem, vamos até a minha casa, se não quiser virar alimentos de cães e ter suas tripas arrastadas pelas ruas!

JOVEM: Não! Eu . . .

SENHOR: Eu sei! Afinal eu tenho 60 anos menino. Quando quero algo, eu tenho certeza, senão eu não me chamaria Guilherme! Protetor de suas vontades!

(longa pausa)

JOVEM: Mas eu também me chamo Guilherme! (pausa)
(os dois se abraçam. Saem de cena)

SER ESSENTE:
(traz uma enxada na mão)

larvas brancas
alfinetes na ferida negra
castas como uma faca
metal de morte.
(Enquanto fala o poema, com a enxada, começa a juntar a terra que formava a mandala fazendo dois montes de terra ä frente da cadeira. Coloca a enxada de pé sobre a cadeira, sugerindo assim um falo. Ao terminar, pega do chão a pedra que estava com o JOVEM e sai de cena).

2° ATO: NO INFERNO

(Foco de luz azul na cadeira com falo. Uma luz branca limita o espaço circular da arena. SENHOR e JOVEM voltam um de cada lado do público, usando vestes brancas com manchas vermelhas que lembram sangue).

SENHOR: (olhando para o público) Você não me disse que tinha tanta gente no inferno.

JOVEM: Você não me disse que tinha tanta gente no inferno! Pois é, nem eu sabia!

SENHOR: Mas eles não parecem estar sofrendo.

JOVEM: Mas eles não parecem estar sofrendo!

SENHOR: Você lembra daquele filme "massacre no bairro japonês"? Lembra daquela cena em que o americano e aquele japonês vão parar no inferno?

JOVEM: (pausa) Lembro!

SENHOR: E o japonês fala que há um tipo de inferno para cada tipo de pessoa. Havia até o de picar as pessoas em pedacinhos!

JOVEM: Sim!!!

SENHOR: Pois é, este aqui deve ser o de conviver uns com os outros.

(Silêncio. Som dos anunciadores dos ventos. Chegam à frente do público, parados lado a lado)

JOVEM: Então você quer dizer que teremos de conviver um com o outro toda a eternidade?

SENHOR: (repetindo as palavras do JOVEM como um eco) Um com o outro toda a eternidade dade dade dade. . . Eu acho que sim!

JOVEM: E onde estão as taças de blood-mary?

SENHOR: Não sei!

JOVEM: E o nosso anfitrião-mor o senhor satã?

SENHOR: Eu acho que ele não existe!

JOVEM: Deve ter sido invenção do catecismo. A Primeira vez que a Bíblia fala dele é só em Jó, e depois em Mateus 4, e . . .

SENHOR: Será que o pessoal que leu a Bíblia foi para o céu?

JOVEM: Não sei. Mas eu li. Se isso aqui é o céu ou se é o inferno, eu vou é procurar o meu quarto!

SENHOR: Será que têm quartos por aqui?

JOVEM: Vamos procurar!

SENHOR: Olha! O que é aquilo? ( apontando para a cadeira com o falo à frente)

JOVEM: Que bonito! Parece até um trono e uma . . . Bom, um de nós terá de ser o rei. (olha para o Senhor que está em pânico). E ter de fazer massagem nesse seu pé chulezento, nem morto, digo, nem vivo. Eu serei o rei!

SENHOR: (em pânico) Mas . . . o que é aquilo meu Deus?! Eu . . .

JOVEM: É verdade, aquele piruzão deve machucar! Majestade . . .
(reverencia o Senhor apontado para a cadeira)

SENHOR: Eu não sei se tenho coragem. Certa vez tive um sonho, quando tinha quatro anos. Sonhei que estava no ventre da terra e havia um trono parecido com esse e um falo enorme, gigantesco e minha mãe dizia que aquele era o comedor de homens. E eu fugi a vida inteira desse pesadelo. Será que nem no inferno ele vai deixar de me perseguir!!! (chora)

JOVEM: Acalme-se! Os sonhos podem ser terríveis, mas ainda estamos vivos, ou mortos, sei lá! O importante é que estamos, mesmo que não saibamos o sentido. Pare de chorar seu idiota, nós ainda temos um ao outro!

(o Senhor levanta-se e enxuga as lágrimas)

JOVEM: Isso pode ser tanto o inferno como . . . ( falando consigo mesmo) mas o que serão aqueles dois montes? É estranho, me lembra uma . . .

SENHOR: O céu? (pausa). Você quis dizer que estarmos juntos pode ser tanto o inferno como o céu? (pausa)

JOVEM: Não! É um inferno mesmo.

SENHOR: Você me faria um cafézinho?

JOVEM: Será que tem cozinha por aqui?

SENHOR: Minha mãe fazia um café ótimo . . .

JOVEM: (olha todo o espaço. Desesperado) Não têm portas aqui.

SENHOR: Aquele cheiro . . .

JOVEM: Ei! Dá pra voltar? Eu ainda estou procurando uma saída.

SENHOR: Do que é que você falava mesmo?

JOVEM: Olha cara eu estou perdendo a minha paciência. Por favor . . .

SENHOR: Você disse "por favor"?

JOVEM: Quer dizer . . . ah! Vá para o inferno! Quero dizer . . . saia da minha frente!

(silêncio)

SENHOR: Há quanto tempo estamos aqui?

JOVEM: De que importa?

SENHOR: Isso!!!

JOVEM: Isso o quê?

SENHOR: Porta. Precisamos procurar a porta de saída!

JOVEM: Não me diga? Quem foi que lhe deu essa brilhante idéia?

SENHOR: Olha, eu sei que nós não somos lá tão semelhantes, mas precisamos cooperar um com o outro, ou teremos de viver aqui trancados o resto da eternidade. Que tal procurarmos uma chave? E quem sabe depois achemos uma porta? Deve ter alguma chave por aqui. Temos de concordar que um reino de duas pessoas não é assim tão animado!
(os dois riem até cair e ficarem deitados bem próximos e em silêncio, olhando para o público)

JOVEM: Você acha que alguma coisa mudou?
SENHOR: Em mim?

JOVEM: Também . . .

SENHOR: Eu acho que sim! (pausa) O que é aquilo ali?

JOVEM: Onde?

SENHOR: Ali na frente brilhando!

JOVEM (exaltado) Meu Deus! É uma . . . Jesus, é . . .

SENHOR: Uma chave!

JOVEM: (gritando) Sim, uma chave!
(ambos se levantam, correm até ela e o Senhor a pega)

JOVEM: E então?

SENHOR: Tem algo escrito nela!

JOVEM: O que é?

SENHOR: A letra é muito pequena, não consigo enxergar!

JOVEM: Deixe-me ver? (toma a chave da mão do Senhor) Bom, aqui diz . . . isto é um hieróglifo! Você sabe ler egípcio? Você sabe !!! Você tem que saber !!!

SENHOR: Não, eu não sei. Sei só o português.

JOVEM: Merda! Merda! Merda !!! Continuamos presos aqui!
(silêncio)

SENHOR: Você reparou uma coisa?

JOVEM: Diga!

SENHOR: Além de nós, o que mais tem nessa sala?

JOVEM: O trono.

SENHOR: E onde poderia haver um buraco parecido com uma fechadura aqui?

OS DOIS JUNTOS: Na ponta do FALO !!!

SENHOR: Vamos tentar!
(eles colocam a chave no buraco na ponta do cabo da enxada. Um som de trovão e estalos enchem a sala. Silêncio. Os dois no chão de bunda para a platéia)

JOVEM: E aí, o que aconteceu?

SENHOR: Não sei! Se levanta você primeiro!

JOVEM: Eu não! Estou com medo!

SENHOR: (levantando-se) Medo de quê? O medo é estatuto de quem diz estar vivo! Não aconteceu nada!

JOVEM: Como nada?

SENHOR: (gritando) Nada vezes nada, merda!!!

JOVEM: Ei! Não precisa gritar!

SENHOR: Desculpe! É que eu perdi também a minha paciência.

JOVEM: Não, não tem problema. (olhando ao redor do trono) Espere! Há um buraco no pé do trono, ele se moveu no estrondo!

SENHOR: Vamos empurrá-lo!
(empurram a cadeira, debaixo há um buraco . Ambos param e olham consternados para o buraco. O jovem pega a chave novamente).

JOVEM: Agora eu entendo! Na chave . . . (perdendo fôlego) é um símbolo.

SENHOR: Sim e daí? Você havia dito que era um hieróglifo!

JOVEM: É um hieróglifo, só que agora eu o entendendo . . .

SENHOR: Como? Por que não o havia entendido antes?

JOVEM: (gritando) Eu não sei!!!

SENHOR: (gritando mais alto) Ora, já estamos no inferno mesmo, né?

JOVEM: Não! É que quando ouvi o estrondo eu senti tanto medo de te perder. Você é o que justifica minha existência aqui. Eu tenho medo de ficar só. Sem meus livros, sem alguém para ironizar, sem vida. E aliás, o que é este lugar afinal? Para que estamos aqui? Por que precisamos passar por isso? (chora) Eu que não quero mais ir para o céu se tiver de ficar só lá!

SENHOR: (abraçando-o) Acalme-se! Levante-se! Por que desistir agora? Por que esse desespero?

JOVEM: O símbolo diz que só uma pessoa poderá transpor o buraco e chegar ao céu.
(longo silêncio)

SENHOR: Eu tenho uma idéia!

JOVEM: Qual?

SENHOR: E se nos abraçássemos? Você poderia me carregar nas suas costas durante a longa jornada até o céu, e quando você se cansasse, eu o carregaria também! E então?
(silêncio)

JOVEM: Combinado! Mas . . . antes eu gostaria de lhe pedir desculpas.

SENHOR: De quê?

JOVEM: Ora! Da Suzi, das ofensas, de não tê-lo amado!

SENHOR: Para onde vamos tudo se mistura, amor, paz, ternura, dor, carne, sangue e suor, tudo é uma só coisa e nós nos tornamos um só! (pausa) Venha, subamos ao céu! (estende a mão)

JOVEM: (pausa. Aperta a mão do SENHOR) Desçamos!

(Os dois se olham firmemente, se abraçam fortemente. O JOVEM se abaixa, toma o SENHOR nas costas e o sai carregando por entre o público, leva-o até a cadeira novamente. Deixa o SENHOR imóvel, retira a enxada da cadeira, crava-a no meio dos montes de terra, joga o SENHOR sobre a cadeira, rasga suas roupas, deixando - o nu, rasga suas próprias vestes).


Voz feminina (ao microfone, durante a sequência de ações):

SEMELHANÇA
Tua boca é uma estrela cadente que realiza meu desejo
Teu olhar penetra em minha alma
E me toma até às vísceras.
Tuas mãos moldam o barro,
E com o fogo de teu hálito,
Anima tua criatura.
Posto no jardim das delícias,
Próximo à árvore proibida,
Da minha costela o fio retiraste,
E um novo homem fizeste:
Adão e Adão
Enkidu e Gilgamesh,
Feitos do mesmo barro
No mesmo fogo
A mesmíssima cadeia.
FIM

BIBLIOGRAFIA
(Para ser consultada no caso de pesquisa para a montagem do texto. Tais referências seguem a perspectiva da linguagem simbólica e de uma perspectiva neo - antropofágica, que estamos inventando. Serve pois como sugestão.)

1. ARTAUD, Antonin. O Teatro e seu Duplo. Tradução: Fiama Hasse Pais Brandão. Fenda Edições Ltda: Lisboa, 1996. 147 p.

2. Artaud: Vida e Obra

3. CAPRA, Fritjof. O Tao da Física. Editora Cultrix: São Paulo, 1983. 274p.

4. JUNG, Carl. O Homem e Seus Símbolos. 22 ed. Rio de Janeiro. Editora Nova Fronteira: 2002.316p.

5. RIMBAUD, Arthur (Trad. e org.: Daniel Fresnot). Uma Estadia no Inferno, Poemas Escolhidos, a Carta do Vidente. São Paulo. Editora Martin Claret: 2002.124p.

6. ATTAR, Farid ud-Din. A Linguagem dos Pássaros. 2 ed.. São Paulo. Attar Editorial: 1991.274p.

7. BAHÁ'U'LLÁH. Os Sete Vales e outros escritos. São Paulo. Axis Mundi Editora: 1992. 102p.

8. POWELL, James N.. O Tao dos Símbolos- como transcender os limites do simbolismo. São Paulo. Editora Pensamento LTDA: 1982. 274p.

9. ELIADE, Mircea. Mito e Realidade. 5 ed.. São Paulo. Editora Perspectiva S.A.: 2000. 179p.

10. _____________. Imagens e Símbolos: ensaio sobre o simbolismo mágico – religioso. Martins Fontes: São Paulo, 1996.178 p.

11. WEBER. Renée. Diálogos com Cientistas e Sábios: a busca da unidade. Tradução: Gilson Cesar Cardoso de Souza. Editora Cultrix: São Paulo, 1986. 302 p.

12. Lao – Tsé. (Trad. e notas: Humberto Rohden). Tao Te Ching: o livro que revela Deus. Martin Claret edit.: São Paulo, 2003. 195 p.

13. STANISLAVSKI, Constantin.(Trad.: Pontes de Paula Lima). A Construção da Personagem. 12 ed. Rio de Janeiro. Editora Delta S.A.: 1964.

14. Literatura Egípcia. Enciclopédia Delta Larousse, Volume VI. 2 ed. Rio de Janeiro. Editora Delta S.A.: 1964.

15. BOAS, Orlando Villas & BOAS, Cláudio Villas. Xingu, os índios, seus mitos. 4 ed.. Rio de Janeiro. Zahar Editores: 1976. 211p.

16. GRINBERG, Luiz Paulo. Jung - o homem criativo. 2 ed. São Paulo. FTD Editora: 2003. 239p.

17. PLATH, Sylvia. Pela Água. Edição Bilíngüe ( Trad.: Maria de Lourdes Guimarães). São Paulo. Editora Assírio e Alvin: ano .

18. MOTTA, Valdo. Eis o Homem. Vitória. Editora Fundação Ceciliano Abel de Almeida: 1987. 142p.

19. DOSTOIÉVSKY, Fiódor. (Tradução livre: Emílio de Mello). O Marido Alheio ou O Outro Debaixo da Cama. Mímeo.

20. JUNG, Carl. Complexos, Arquétipos e Símbolos.

21. JUNG, Carl. O Segredo da Flor de Ouro.

22. FAUSTINO, Mário. O Homem e Sua Hora.

23. ALIGHIERI, Dante. A Divina Comédia (Vol. Primeiro - Inferno, Vol. Segundo - Purgatório e Vol. Terceiro - Paraíso. Tradução Brasileira: José Pedro Xavier Pinheiro. São Paulo, Gráfica e Editora EDIGRAF S.A. (ano).

24. BLAKE, William. O Matrimônio entre o Céu e o Inferno.

25. WHITMONT. Edwad E.. A Busca do Símbolo.

26. KEEN, Sam & FOX, Valey. A Jornada Mítica de Cada Um.

27. COOPER. J.C.. Yin e Yang - a harmonia taoísta dos opostos. São Paulo. Editora Martins Fontes: 1985. 170p.

28. FRANZ, Marie - Louise Von. Os Sonhos e a Morte - Uma Interpretação Junguiana. São Paulo, Cultrix: 1990. 215p.

29. NETO, João Cabral de Mello. Morte e Vida Severina e outros poemas para vozes. 4 ed. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira: 2000. 163 p.

30. Enciclopédia de Ocultismo. As Ciências Proibidas – Adivinhação: os Segredos do Vidente. Editora Século Futuro Ltda: Rio de janeiro, 1987. 76 p.

31. GEORGE, David. Teatro e Antropofagia.

32. Almeida. Bíblia Sagrada

33. BORGES. Jorge Luis. O Fazedor. (Trad.: Rolando Roque da Silva). 4. ed. Editora Bertrand Brasil: São Paulo, 1987. 107 p.

4 comentários:

Lígia Protti disse...

! que bom saber que tem um blog! soube através de um email no opiniões cênicas...assim que tiver tempo lerei a tua peça. gostei muito dos poemas...a zombaria sobre a torre de marfim que hospeda tantos egos nesse império, muitas vezes, acrítico do teatro capixaba...
e ainda tuas palavras sobre o corpo, delícia, "sob a face do abismo entranhado no corpo".

Tb tenho um blog, mas só de poesias, digamos, corpóreas.

Assim que ler tua peça, comento contigo.
grande beijo

Lígia Protti disse...

ah sim, coloquei o teu endereço dentre os "links" do meu blog.

William Berger. Teatro: arte, ciência e religião disse...

Legal, acho que aqui podemos trocar muitas idéias.

Abração Lígia,

William Berger

Dinha 913 disse...

Parabéns maninho o blog está perfeito com palavras fortes e bem colocadas como sempre né rsrs... sucesso...

Clayde Berger