"Um corpo - em - vida é um corpo em constante comunicação com os recantos mais escondidos, secretos, belos, demoníacos e líricos de nossa alma. É o receptáculo da poesia do teatro. O ator é um 'atleta afetivo', como diz Artaud" (FERRACINI, 2003).
Na concepção de Artaud, o corpo comporta todos os símbolos de uma geografia cósmica: montanhas, céus e mares estão todos aqui na nossa carne. Isso lembra a relação holística do "Tao da Física" de Frijtof Capfra de que nosso corpo é o espelho do universo, e a esse todo devemos nos integrar para transformar. Ao transformar somos transformados, dizia Marx. Harold Bloom também menciona que em nosso corpo estão céus, infernos, anjos, deuses e demônios. Hércules descobre, realizando seus 12 trabalhos, que o que nos torna divinos e humanos é a capacidade de saber que somos deuses, o DEUS está em nós. Pierre Fatumbi Verger ao falar da magia yorubana, destaca o poder da palavra em todas as formas de feitiço. Mas não a palavra cotidiana, antes ritualizada, ressignificada, que é capaz de transformar o curso de uma realidade. Em Artaud, a palavra cria e recria novas realidades. O simbólico se torna concreto e vice-versa. Somos produto de nossas palavras. Isso lembra também Jung em "O Segredo da Flor de Ouro", quando fala dos egrégoras, filhos que geramos com nossos desejos, pensamentos, palavras e ações. Shiva em sua dança transforma o universo.
Atenção ator: muito cuidado ao abrir a boca e evocar o gesto , você lida com símbolos, anjos, deuses, demônios, graais. Você é o mago, o profeta de um novo tempo. Criemos uma nova realidade com nossas palavras, nossos corpos e ações, busquemos o equilíbio e a comunhão dos seres humanos para viver aí a capacidade inata de sermos deuses.
É este Teatro que me proponho: teatro e magia, tetro e bruxaria, arte, ciência e religião. Saravá Dioniso!
William Berger
09 -09-2008 às 00:41 hs.
BIBLIOGRAFIA:
FERRACINI, Renato. A Arte de Não Interpretar como Poesia Corpórea do Ator. Campinas.: Editora da Unicamp, 2003. 300 p.
sábado, 2 de outubro de 2010
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Quixotesco
Ainda criança
sonhava como hoje
um sonho real
em minhas brincadeiras.
E cantava às multidões
imaginadas a música
que só eu sabia.
Vivia o personagem
sem engrenagens
ou carpintaria.
Via fantasmas
Seres da mata.
No fim do arco-íris
buscava o pote
de ouro e prata.
Travava guerras com arbustos
Abria heroicamente gaiolas
E das arapucas
soltava as piaçocas.
Continuo o mesmo
e assim serei.
Porém, hoje, os arbustos
são frondosas árvores
e meus fantasmas
não assustam como outrora.
Os passarinhos fugiram do brejo
e o coachar do sapo prenuncia o fim.
O que será se mim
neste vasto mundo?
Se não me chamo Raimundo
ou Segismundo?
Exposto a tudo
neste grande teatro,
encerro o ato.
E no camarim pergunto a mim:
Esta vida é sonho?
Tudo vale à pena?
Somos feitos da mesma matéria dos sonhos?
Tragédia ou Comédia?
Reescrevo o verso
Reinvento o fim.
Mudo completamente o enredo
e digo sem medo:
SOU DEUS!!!
18/01/2009
sonhava como hoje
um sonho real
em minhas brincadeiras.
E cantava às multidões
imaginadas a música
que só eu sabia.
Vivia o personagem
sem engrenagens
ou carpintaria.
Via fantasmas
Seres da mata.
No fim do arco-íris
buscava o pote
de ouro e prata.
Travava guerras com arbustos
Abria heroicamente gaiolas
E das arapucas
soltava as piaçocas.
Continuo o mesmo
e assim serei.
Porém, hoje, os arbustos
são frondosas árvores
e meus fantasmas
não assustam como outrora.
Os passarinhos fugiram do brejo
e o coachar do sapo prenuncia o fim.
O que será se mim
neste vasto mundo?
Se não me chamo Raimundo
ou Segismundo?
Exposto a tudo
neste grande teatro,
encerro o ato.
E no camarim pergunto a mim:
Esta vida é sonho?
Tudo vale à pena?
Somos feitos da mesma matéria dos sonhos?
Tragédia ou Comédia?
Reescrevo o verso
Reinvento o fim.
Mudo completamente o enredo
e digo sem medo:
SOU DEUS!!!
18/01/2009
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
domingo, 13 de setembro de 2009
sábado, 22 de agosto de 2009
Poeta
Às vezes fico remoendo
O poeta em mim
E encontro
Uma voz
Que responde
Em letras e números:
Os vejo como gestos!
Naquilo que sempre busquei
Não há silêncio que caiba.
20/08/2009
O poeta em mim
E encontro
Uma voz
Que responde
Em letras e números:
Os vejo como gestos!
Naquilo que sempre busquei
Não há silêncio que caiba.
20/08/2009
sábado, 6 de junho de 2009
Peça de lycra azul e rosa "Terra Sem Mal". Texto e direção: Waldo Motta. Fotos: Ricardo Aguiar e Caroline Garcia Altoé.

TERRA SEM MAL – um mistério bufante & deleitoso
A partir da mitologia dos índios brasileiros, e outras referências, oscilando entre o épico e o místico, o sério e o cômico, a peça Terra sem mal é um exemplo de teatro alegórico. Evocando os autos sacramentais, as propostas éticas e estéticas de Brecht e Artaud, entre outros, a peça satiriza, em clima de festa, rave, carnaval e ópera, a busca infrutífera do paraíso, em todos os tempos e lugares, e sugere onde se pode encontrar o objeto de tão apaixonado desejo: a zona proibida do corpo.
Produtor, autor, diretor etc.: Waldo Motta
Elenco: William Berger, Waldo Motta, Cristina Garcia, Allan Moscon
Sonoplastia e Iluminação: Éder Garcia e Fran de Oliveira (Casa Melancia)
Informações: Waldo (8841.7348 / 3056.0024)
A peça mostra, na primeira parte, vários personagens, em tempos e lugares diferentes, em busca da "Terra sem mal", do paraíso, da utopia. Na segunda parte, enfim, manifesta-se um Tupã gay e debochado que revela ao pajé que o invoca o que é e onde se encontra o lugar tão desejado. Na terceira parte, entre outras coisas, ocorre o confronto entre um tipo de buscador, o Sinhozinho (bofe, caraíba, imperialista etc) e a Bicha papona, a monstra guardiã do lugar sagrado, a Terra sem mal, que poderia ser o Espírito Santo, já que um grupo de índios guarani, conduzido por uma índia, Tatanty, veio parar aqui, no final dos anos 1960, acreditando estar no solo espiritossantense o tão suspirado paraíso indígena.
terça-feira, 12 de maio de 2009
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